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11 de septiembre de 2017

Como ganhar um irmão (Mateus 18:15-20)

Autor/es: Luiz Carlos Ramos

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Mateus 18:15-20

Que se diga logo, de saída: Jesus nunca deve ter dito essas palavras. Ao menos não como estão redigidas nesta perícope. Primeiro, Jesus nunca sairia a cata de pecadores para instaurar contra eles um processo disciplinar. Segundo, ele não poderia sugerir que o impenitente fosse trazido diante da igreja, porque esta ainda não existia. Terceiro, por uma questão de coerência, ele nunca conceberia uma punição que previsse a excomunhão. E, quarto, Jesus nunca defenderia a ideia de que estrangeiros (gentios) e publicanos fossem a tipologia de impenitentes contumazes e irreconciliáveis.

Ao contrário, Jesus recebia os pecadores, os publicanos, os estrangeiros, inclusive em suas comunhões de mesa. Não se sabe de que alguma vez Jesus tenha perseguido algum pecador para acusá-lo ou denunciá-lo e arrastá-lo aos tribunais. Em geral, eram os pecadores que o procuravam em busca de perdão. E mais, tratar alguém como pecador e publicano não seria uma punição, na perspectiva de Jesus, mas considerá-lo alguém especial, por quem Jesus dava mostras de amor incondicional; pois eram alvo especial da sua missão.

Estudando os evangelhos, fica absolutamente claro que:

Ninguém é incluído no círculo de Jesus por seus méritos,
mas apesar dos seus deméritos!

A dedução quase inevitável é que esse texto só pode ter sido um excerto posterior, datado de um período tardio no qual a igreja já estava se institucionalizando e se cercando de regulamentos, regimentos e estatutos.

Tendo isso em mente, cabe, sim, uma releitura dessa passagem, tomando em conta a necessidade de estruturação da Igreja, mas relativizando-a com a prática evangélica de Jesus.

Primeira lição

Não existe igreja perfeita nem membro de igreja perfeito. Todos somos passíveis de cometer erros. “Pecar” é errar o alvo, mas que sempre acaba acertando e ferindo alguém, geralmente a pessoa errada e inocente, tal como as balas perdidas, tão recorrentes, infelizmente, em nossos dias.

Segunda lição

Os pecados de um membro afetam toda a comunidade. Como dizia o Filho Pródigo: “Pequei contra o céu (Deus) e contra ti (o próximo).” (Lc 15.21).

Terceira lição

O pecado, mais que motivo para instaurar processo disciplinar, é antes oportunidade de reconciliação.

Quarta lição

A discrição e o respeito pela privacidade do próximo é fundamental, por essa razão, a primeira atitude na busca pela correção de um erro é o tratamento discreto e em particular.

Quinta lição

Nem sempre é simples se estabelecer a verdade. As opiniões divergem e os pontos de vista são sempre relativos. Por isso é necessário buscar ajuda de mais pessoas sensatas, para que se chegue a um consenso.

Sexta lição

Nem sempre se chega ao consenso. Algumas pessoas são tão arraigadas em suas opiniões que chegam a se tornar intolerantes e impenitentes. Nesse caso, quando as intolerâncias se afirmam abertamente, é hora de pedir ajuda à comunidade mais ampla, aqui chamada de Igreja.

Sétima lição

Esclarecidos os pontos divergentes e persistindo as divergências, a sentença, à luz da prática de Jesus, não é a excomunhão, mas redobrar os empenhos por incluir e amar o impenitente.

Afinal, quando é que uma pessoa estará mais perto do arrependimento, do perdão e da reconciliação? Permanecendo na comunidade ou sendo excluída dela? Frequentando as celebrações ou sendo afastada delas? Participando do sacramento da comunhão ou sendo impedida do acesso à mesa que nos alimenta de perdão?

Olhando para a prática de Jesus, em que pesem os descaminhos da igreja que se ia institucionalizando, não devem pairar dúvidas: Incluir os pecadores é a coisa mais certa a fazer, porque nossas ligações (e desligações) terrenas têm implicações eternas.

Esta é a melhor disciplina que uma igreja pode aplicar a quem quer que seja: Tratar a todos como alvo da missão e do amor incondicional de Deus.

Reverendo Luiz Carlos Ramos †
Por uma igreja de corações abertos, mentes abertas e braços abertos
Prédica para o Décimo Quarto Domingo da Peregrinação após Pentecostes
| Ano A, 2017

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Palabras relacionadas

Comunidad, Reconciliación, Perdón

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