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29 de mayo de 2009

Comentario Pentecostes (portugues)

Autor/es: Ramacés Hartwig

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PENTECOSTES: unção de fogo do Espírito Santo !

A religião cristã herdou muitas leis (torah) e costumes (festas) da religião judaica, bem como de outras religiões e culturas também. Algumas foram esquecidas ou ignoradas e outras, para serem reaproveitadas, passaram por um novo conteúdo teológico e receberam uma nova roupagem religiosa, ou seja, sofreram uma “cristianização”.


É o caso da Festa do Pentecostes ou da Colheita (que era uma dentre as três festas judaicas anuais mais importantes, cf. Êx 23,14-19) e que também era conhecida e celebrada pelos judeus como a Festa das Semanas (Dt 16,9ss). Era celebrada no final de um período de sete semanas (50 dias) que ia desde o plantio até o início da colheita dos primeiros grãos (cevada ou trigo). Para esta festa havia uma “santa convocação” e durante a sua realização nenhum trabalho servil podia ser realizado, além de que todo o israelita era obrigado a estar presente. Os preceitos religiosos (liturgia) destas festas estão descritos claramente (entre outros) em dois relatos: Levítico 23,15-25 e Deuteronômio 16,9-15 (ambos na Torah). Também havia a Festa dos Tabernáculos (tendas) que acontecia entre setembro e outubro, porém esta tratava da colheita de frutas (uv as, tâmaras e figos), ocasião em que os trabalhadores permaneciam no local, abrigados temporariamente em tendas (de onde se origina o nome desta festa).
 

A religião judaica, por sua vez, também se apropriou, adaptou e continuou alguns costumes agrícolas (e até religiosos) a partir da cultura dos cananeus (um dos “povos do mar” que habitava a “Terra Prometida”, a Palestina). Esta cultura agrícola também era conhecida de outros povos orientais, mas especialmente daquelas tribos nômades e semi-nômades (razão pela qual aproveitavam a sazonalidade das estações para o plantio e colheita de grãos).
 

Os hebreus (cuja palavra vem de habiru: habitante do deserto) dentre os quais algumas tribos deram origem e formaram o “povo de Israel” (através de uma Liga Sacral) cuidavam originalmente de rebanhos, isto é, eram pastores de “gado miúdo”. Isto pode ser melhor percebido no relato de Gênesis 4, onde transparece o conflito entre agricultores (Caim) e pastores (Abel) e, conseqüentemente, a luta pela posse e domínio da terra agricultável (período histórico no qual a Bíblia registra a transição do nomadismo para o sedentarismo).
 

A Festa do Pentecostes era basicamente agrícola, celebrada com entusiasta alegria e muitas solenidades, porém, total e exclusivamente dedicada a Yahweh (Dt 16,10), o Deus da Vida e Criador do Universo. Nesta ocasião agradecia-se a Deus pela “dom da terra, das sementes e de seus frutos” (e por toda a criação divina). Também reafirmava-se o compromisso de fraternidade entre as famílias e tribos (especialmente hebréias), mas igualmente renovava-se a solidariedade e a justiça com todos os povos, ou seja, era uma “celebração ecumênica” onde reinava a partilha e a Paz.
 

Já a “adaptação e resignificação” da Festa do Pentecostes (que acontece cinquenta dias após a Festa da Páscoa) para a Tradição Cristã está registrada no Segundo Testamento, particularmente encontrada em três referências: I) At 2, II) At 20,16 e III) I Co 16,8. Isso demonstra a importância e o lugar celebrativo da Festa do Pentecostes (cristã) já no contexto da Igreja Primitiva e marca a origem de seu desdobramento em diferentes tradições nos séculos seguintes.
 

As analogias bíblicas que se referem ao Espírito Santo são múltiplas: sopro, vento, pomba, dedo de Deus, fogo, parácleto, Espírito da verdade, Consolador, etc. Isso por si só já demonstra uma grande variedade não só de Sua “apresentação e presença”, bem como do variado entendimento e distinta percepção que as diferentes comunidades cristãs faziam da “terceira pessoa da SS. Trindade” desde os inícios do cristianismo.
 

A Festa do Pentecostes que a Igreja de Jesus, o Cristo de Deus, celebra nos dias de hoje está ligada basicamente ao relato de São Lucas no capítulo dois do livro dos Atos dos Apóstolos. Neste texto (At 2,1-13) em que pesem as diferentes interpretações exegéticas e as possíveis variações lingüísticas das traduções, o fenômeno que lá ocorreu de alguma maneira mexeu e transformou a vida daquelas pessoas que estavam reunidas no Tabernáculo, pois, “cheios do Espírito Santo começaram a falar em outras línguas” e houve grande alarido porque cada um os entendia na sua própria linguagem. A partir deste evento elas nunca mais foram as mesmas e o mundo todo passou a conhecer a mensagem de Jesus Cristo. Este acontecimento é considerado a “fundação da Igreja” e a ocasiã ;o em que Seus discípulos/as compreenderam Sua Boa Notícia e passaram a colocar em prática a ordenança evangélica de seu Mestre: Ide por todo o mundo... (Mt 28,19ss).
 

É oportuno traçar aqui um paralelo com o relato da Torre de Babel (Gn 11,1-9). Neste evento o fenômeno acontece ao contrário, ou seja, todos falavam a mesma língua e tinham um único propósito: “construir uma torre para chegar ao céu, ficarem famosos e não serem espalhados pelo mundo”. Entretanto, houve uma grande confusão (significado da palavra babel) e tudo aconteceu exatamente ao contrário do que eles pretendiam.
 

Por isso, o fenômeno de Pentecostes (línguas de fogo) diferentemente do “fenômeno da confusão” desafia a Igreja de hoje também a “falar todas as línguas” para que o mundo creia que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Ou seja, para que a mensagem do Evangelho seja universal e o Reino de Deus implantado “aqui e agora”, as maravilhosas obras do Espírito Santo devem acontecer para o mundo através da vida dos cristãos e cristãs de hoje.
Ao lado de muitas outras referências ao Espírito Santo, têm relevância e grande significado a que se encontra registrada em S. João 20,22: depois Jesus soprou sobre eles e disse: recebam o Espírito Santo! Co esta unção emanada do próprio Cristo de Deus é que os cristãos e cristãs estão revestidos de “poder do Alto” para anunciar ao mundo que o Reino de Deus chegou e, para isto, estão habilitados/as a testemunhar com temor e tremor os sinais que implementam de fato e ratificam na prática a veracidade de sua pregação e fé.
 

Como professa o Credo Niceno (325, ad): “Cremos no Espírito Santo, Senhor, Doador da Vida, procedente do Pai e do Filho; o qual com o Pai e o Filho juntamente é adorado e glorificado”. Por isso esta “pessoa divina da SS. Trindade” é reconhecida como “santo por Sua natureza” e “santificador por Sua ação”.
 

Todos os batizados/as (em nome da Trindade) receberam o Espírito Santo e por isso em sua vida e ministérios devem demonstrar que são portadores dos “sinais espirituais” reconhecidos na Tradição Cristã como os Sete dons do Espírito Santo:
1 - Sabedoria: conduz a pessoa ao amor intenso e total a Deus demonstrado na defesa incon- dicional da Vida em toda sua plenitude e com zelo por toda a Criação Divina;
2 - Inteligência: leva a pessoa a crer para entender e viver a verdade, a justiça, a solidariedade e a paz capacitando-a a construir um “outro mundo possível”;
3- Conselho: capacita a pessoa para o diálogo e para o respeito ao Outro/a, fazendo com que aceite e conviva com a diferença e com o diferente;
4- Ciência: capacita o ser humano com habilidades para inventar, recriar, adaptar, transformar e descobrir novas formas e fórmulas que respeitem e mantenham a vida;
5- Fortaleza: fortalece nas pessoas o senso bom do amor, da fé e da esperança através dos
quais revigora sua fé para a luta por um mundo mais fraterno e justo;
6- Piedade: capacita a pessoa a “colocar-se no lugar da outra/o” fazendo a ele/a todo o bem
que gostaria que fizessem a si mesmo;
7- Temor a Deus: este dom revela o quanto Deus ama Suas criaturas e por elas e toda a Sua criação entregou Seu próprio e único Filho para que todos vivêssemos em
plena harmonia e total felicidade.
 

É bom lembrar que o número sete no contexto bíblico significa universalidade, totalidade, perfeição e, por isso, estes “sete dons” devem vir acompanhados dos frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio próprio (Gl 5, 22-23). Estes frutos não só os complementam os dons como permitem que através deles os filhos e filhas de Deus sejam conhecidos, como Jesus afirma: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7,16ss).
 

Rev. Ramacés Hartwig,ost
Clérigo Anglicano
E-mail: ramahart@yahoo.com.br
 

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